agosto 26, 2004

tipologia

Hermético Pop
Ele escreve livros que ninguém entende, faz filmes que ninguém entende e pinta quadros que ninguém entende. Ainda assim todos acham ele o máximo. Nas pré-estréias, noites de autógrafos e vernissages o público se acotovela para ficar perto dele e fazer um comentário sobre sua obra que os demais não entendem. O artista, que também não entende o comentário, aproveita essas ocasiões para fazer um gracejo intelectual. Todos riem, mesmo que ninguém tenha entendido.

Machista Carinhoso
Quando a esposa empolga-se falando de política para a roda de amigos o marido, sempre gentil, interrompe para dizer orgulhoso: "A Belzinha não é demais? Não falei que ela era inteligente?" Em outras ocasiões, quando a Belzinha está expondo sua indignação sobre algum assunto, o marido mostra preocupação com a esposa querida: "Belzinha, você não devia se preocupar tanto com isso." Às vezes, cansada das interrupções amorosas do marido, a Belzinha se irrita e vai embora. Mas o marido sabe contornar o mal-estar. "A Belzinha tá certa. Ser espontânea é que é o negócio."

Malandro Reprimido
Ele veste seu terno branco, capricha no perfume, confere o sorriso impecável no espelho e prepara-se para a boemia. Quando está já abrindo a porta, a mãe o chama. "Meu filho, não esqueceu nada, não?" Ele se aproxima da mãe e, envergonhado, dá um beijo na velha senhora. A mãe confere seu colarinho e com um pano úmido limpa uma mancha de batom que ficara da noite anterior. "Vai pra sinuca hoje, filhinho?" Ele diz que já falou mil vezes que 5a é dia da gafieira. "Vai, meu filho, vai", estimula a bondosa senhora. "Mas toma cuidado com essa garganta." Ele finalmente sai, não tão empolgado quanto antes. Do portão ainda ouve a mãe gritar: "Vê lá, hein? Antes da 5 da manhã quero você em casa."

Posted by Tiezzi at agosto 26, 2004 3:53 PM