Recentemente acompanhei um debate entre os professores José Arthur Gianotti e Marilena Chauí, do departamento de Filosofia da USP, nas páginas da Folha de S. Paulo. Emocionante. Gianotti mandava um jab kantiano na cara da Marilena, que de pronto devolvia com uma cuspida spinoziana. Os professores me ensinaram a xingar com elegância e com o intelecto. Não lembro bem os termos, mas reproduzo abaixo mais ou menos como foi. Entre parênteses, o subtexto do diálogo.
Gianotti - A professora Marilena, a despeito do seu brilho intelectual, tem padecido de uma visão interpretativa desfocada a respeito do atual quadro social (A Marilena só tá falando merda).
Marilena - Tenho o privilégio de desfrutar do convívio intelectual do professor Gianotti desde os tempos em que fui sua aluna, o que não significa necessariamente o alinhamento com as idéias expressas em sua obra (Conheço este imbecil não é de hoje e sei que só escreve bosta).
Gianotti - Embora eu seja um defensor inconteste da livre manifestação opinativa, ainda que essas manifestações nada tenham a ver com o que defendo, como nos lembrou Voltaire, acredito que há que se deixar sempre espaço para uma adequada reflexão prévia, indispensável para o verdadeiro debate (Fica na tua aí, ô vagabunda).
Marilena - Bem lembrada pelo professor Gianotti as virtudes da prudência argumentativa. Mas bem sabe o professor que há uma longa tradição filosófica que nos fala de formas apologéticas mais contundentes (Se encher meu saco, te meto a mão na cara).
Gianotti - Estou de acordo com a professora Marilena, ressaltando que este tipo de debate por ela mencionado por vezes apresenta resultados bastante salutares (Vem, vem!)
Marilena - Suponho que com essa concordância o professor Gianotti, imbuído de sua vasta percepção analítica, esteja também ciente do alcance que este tipo de diálogo filosófico pode apresentar, ainda que por vezes tome caminhos turbulentos (Tu tá forgado...)