julho 15, 2004

as ilusões perdidas

Quando eu era criança achava os filmes do Zé do Caixão um lixo. Na minha inocência, dava risada de tão toscos que eram.
Quando cresci comecei a ouvir que Zé do Caixão era cult. Demorei a entender o que isso queria dizer, mas percebi logo que tratava-se de uma grande virtude. Eu mudei. Tanto que na última mostra de curtas fui ver um filme do Zé do Caixão. Misturei-me com seus admiradores, com medo que descobrissem que o gênio de hoje tinha sido esculhambado por mim no passado. Durante o filme, admirei a estética trash, a capacidade inventiva com recursos escassos. Na saída, pensei no quanto evoluí culturalmente. Mas uma voz em mim que não silenciava me dizia: "Puta filme tosco."
 
Quando eu era criança achava o Walter Hugo Khoury um puta chato. Tá certo que ele era um dos diretores que mais colocava mulher pelada em cena. Duro era entender como um sujeito cercado de belas mulheres, numa baita mansão e ainda com a cara do Tarciso Meira podia ter crises existenciais.
Quando cresci comecei a ouvir que o Khoury era o Bergman brasileiro, que sabia como ninguém traduzir as angústias das classes abastadas e vazias. Passei a admirá-lo. Só nunca entendi como é que o Mauro Mendonça se recusou a comer a Xuxa em Amor, Estranho Amor.

Posted by Tiezzi at julho 15, 2004 11:33 PM