Um dos temas da teoria marxista que mais me causa estranheza é a mais valia.
Como se sabe, a mais valia seria a quantidade de horas de trabalho do empregado que o patrão embolsa para ele. Funcionaria assim: o valor do produto é determinado, para Marx, pela quantidade de horas de trabalho em todas as etapas envolvidas para fazê-lo. O capitalista vende a mercadoria pelo tal valor (chamado valor-trabalho, medido objetivamente) e paga aos que a fizeram menos do que esse valor. É daí que nasceria o lucro. E a exploração. E a luta de classes. Daí a mais valia ser a pedra de toque do edifício marxista.
Há muito tempo, sempre que alguém me dá essa explicação, eu pergunto:
- E a Mont Blanc?
- Como assim, a Mont Blanc? – é a resposta que sempre ouço.
Explico: a Mont Blanc custa pelo menos cem, às vezes mais que mil vezes o preço da Bic. Pela teoria do valor-trabalho teria que ter sido empregado cem, mil vezes mais horas de trabalho para produzi-la. E aí o capitalista pagaria menos do que esse valor a todo mundo envolvido e ficaria com o lucro, exorbitante no caso.
Só que isso não procede. A Mont Blanc é apenas um pedaço de plástico com um ponta, como a Bic. Ao meu teste, já responderam que a tecnologia da Mont Blanc é maior, ou o material mais difícil de ser encontrado.
Não é verdade, e mesmo que fosse haja tecnologia e dificuldade para estabelecer a astronômica diferença de preço entre canetas.
O fato é que o valor é quase inteiramente subjetivo. É a cabeça, o coração e o inconsciente do consumidor que determinam valor. No caso, o valor é a inscrição Mont Blanc (desde que autêntica) em um pedaço de plástico. Logo, o lucro não nasce pela exploração do trabalho, mas pela avaliação subjetiva das pessoas.
Ainda aguardo resposta satisfatória para o teste da Mont Blanc. Se não existir, o marxismo acaba numa canetada.