Acabo de ver no jornal que em certas cidades alguns candidatos a vereador não tiveram nenhum voto. Nem o deles mesmos.
Fico imaginando o exame de consciência desses candidatos na solidão da urna: "Como vou me encarar no espelho depois de votar num canalha como eu?" "Para votar, é preciso conhecer bem os candidatos. E se tem alguém que eu conheço a fundo sou eu mesmo. E posso garantir: não presta." "Eu posso até me eleger, mas não com o meu voto. Eu é que não vou ser responsável por eleger um ladrão."
Enfim, acabaram não votando neles mesmos e puderam se encarar no espelho com a consciência tranqüila. Constrangedor mesmo foi o jantar com mulher e filhos, quando várias vezes o candidato pensou em quebrar o pesado silêncio: "Mas nem vocês!"