Ernani não se conformava de ter sido abandonado pela Fefê. Implorava dia e noite por uma segunda chance. A correção da Fefê soava como uma humilhação:
- Que segunda chance, Ernani? Eu já te larguei umas quinze vezes.
- Me dá uma décima sexta chance, Fefê. Tô te pedindo!
E o Ernani mandava flores, presentes, telemensagens, fazia simpatias. Também tentava a tática dos encontros casuais.
- Fefê! Você por aqui? Coincidência...
- Ernani, a gente está no elevador do meu prédio.
Fefê tentou despachar o Ernani de todas as maneiras. Mas não tinha jeito. Ele tinha terceirizado sua auto-estima.
- Fefê, eu faço tudo por você.
Nesse momento ocorreu a ela a idéia que seria sua salvação.
- Tudo mesmo?
- Tudinho. Qualquer coisa pra você ficar comigo.
A Fefê teve paciência. Reataram e viveram alguns dias como um casal normal. A única coisa que ela dizia era que morar juntos nem pensar. Depois disse que eles deveriam se ver menos, para “arejar” o relacionamento. E um dia Fefê lançou a bomba. Argumentou que era uma mulher moderna, que os tempos estavam mudados, e queria experimentar o relacionamento aberto. Ernani quis protestar, mas Fefê o censurou lembrando da promessa.
Viram-se cada vez menos. Um dia Ernani soube por um amigo comum que a Fefê ia se casar. E ele nem ao menos havia recebido convite. Ligou disposto a expressar sua indignação.
- Mas quem disse que nós não somos mais namorados? – respondeu Fefê, desarmando-o. – A propósito, aproveitando a ligação, eu e o Romeu vamos morar fora do país.
Ernani sentiu um choque com a notícia. Apesar disso, estava contente, pois percebeu que tudo valia a pena pelo amor da sua Fefezinha.