março 27, 2005

crônica de Páscoa

Sim, há dois mil anos e uns quebrados, Cristo estava sendo castigado e imensamente só, tanto que quando disse “perdoai, senhor, eles não sabem o que fazem” nem tinha o Mel Gibson para registrar a preciosa frase pelo melhor ângulo.
Confesso envergonhado que não entendo bulhufas da Paixão, e mais envergonhado ainda por ter usado a palavra bulhufas. Por exemplo, em que momento o ovo de Páscoa entrou na história? Em uma 6a, Cristo morreu, no domingo ressuscitou, a notícia se espalhou e todos resolveram comer ovo de chocolate. Não, não pode ser. O ovo só pode ter vindo muito depois. Mas por que diabos – com o perdão de citá-lo neste crônica – em algum momento surgiu a associação entre essa história exemplar e um ovo de chocolate é coisa que nem o mais sábio dos homens conseguiria explicar.
Outra: por que a Páscoa cai cada ano em uma data? Diz o bom senso que se morre num dia só, e iria ser um comportamento bem excêntrico fazer as homenagens um ano no dia 26, no seguinte no dia 15, no outro cinco dias depois e assim vai. Se não se respeita a data, que dirá o finado? No entanto, o mais admirado dos homens é vítima dessa esculhambação, com a homenagem sempre num dia diferente e às vezes até em mês diferente.
Aliás, até com relação ao nascimento a confusão se instaurou. Foi estabelecido que o nascimento de Cristo é o marco zero do calendário. Entretanto se comemora seu aniversário em 25 de dezembro, e o ano só vira sete dias depois. Ou seja, acabou virando marco menos sete. Desconheço se na época havia o costume de comemorar o aniversário no sábado anterior caso o dia certo caísse no meio da semana. Mas nem isso explica, visto que o reveillon cai sempre no mesmo dia do Natal. Talvez os apóstolos prepararam a festa para o dia certo, mas como a agenda do homem estava cheia – milagres a cumprir, uma dura nos vendilhões do templo, dia de jejum – resolveram antecipar uma semana. O único problema é que o pão e o vinho ainda não tinham chegado, mas isso não era problema considerando-se o aniversariante.
Enfim, dois séculos se passaram, hoje estou em frente a esse computador e provavelmente uma coisa não tem nada a ver com a outra. Talvez eu não devesse brincar com esses assuntos, mas de fato não considero falta de respeito. E quem há de negar que hóstia gruda no céu da boca?

Posted by Tiezzi at março 27, 2005 11:14 AM