A CNN anunciou hoje a morte do Papa mas horas depois voltou atrás. Eu, como tenho minhas fontes na alta cúpula do Vaticano, sinto-me no dever de vir a público explicar o que houve de fato.
Na verdade, na hora do anúncio fúnebre o coração do Papa havia parado. Foi dado como morto.
Em outro plano, o pontífice foi recebido por um senhor estranho, vestindo vermelho. Com gentileza ele se apresentou como a pessoa escalada para recepcionar o Papa no além vida. Ele levou o Papa por longos corredores, quentes e com papéis de parede vermelhos. O Papa estranhando.
Chegaram a um amplo salão, onde pessoas gritavam enquanto eram queimadas em grandes caldeiras, com um monte de diabinhos assistindo e gargalhando. Foi quando o Papa disse:
- Pera lá, isso aqui é o inferno.
- Exatamente - disse seu acompanhante. - E eu sou o diabo.
- Mas... alguma coisa está errada. Eu sou o Papa.
- Eu sei perfeitamente quem é o senhor.
- Então, houve algum engano. Não era para eu estar aqui.
- Engano nenhum. Tenho aqui a sua ficha e seu lugar é este mesmo.
O Papa começou a se desesperar:
- Não é possível. Eu dediquei a minha vida à causa do bem! Eu sou um representante de Deus!
Quando disse a última palavra o salão todo parou para olhar com censura. O diabo ficou menos amistoso:
- Chega desse assunto. Vamos ao que interessa.
O diabo chamou um dos diabinhos e com um gesto pediu para levar o Papa. O diabinho pulava de alegria pela missão. O diabinho começou a puxar o Papa pelo braço em direção a uma das caldeiras.
- Espere! Vocês não podem fazer isso. Eu sou o Papa! Eu sou o Papa!
O diabinho não queria nem saber. Junto com vários outros chifrudinhos empurraram o Papa por uma escada, até deixá-lo na borda da caldeira incandescente. O pontífice, cada vez mais desesperado. Quando o diabo ordenou que o empurrasem, o sumo sacerdote chorava e implorava por perdão.
De repente, fez-se o silêncio. O Papa estranhou, abriu os olhos que se recusavam a enxergar a condenação eterna e virou-se para ver o que estava acontecendo.
O diabo, os diabinhos e os condenados pulavam e gritavam: Primeiro de Abril! Primeiro de Abril!
Em seu leito, aqui no plano terreno, o Papa voltou a abrir os olhos. A minha fonte do Vaticano garante que ele ainda pronunciou em polonês algumas palavras quase ininteligíveis. Ele diz não ter entendido bem, mas pareceu ser algo como: "Palhaçada..."