- Fabiano, eu preciso falar com você.
- Nossa, que tom!
- É sério, Fabiano.
- Nada é sério, querida. Nem a vida.
- É sobre nós dois.
- Você não vai dizer que precisamos discutir a relação, vai?
- Não. Quer dizer, mais ou menos.
- Elaine, Elaine... Como nós podemos discutir a relação se nós nem temos uma relação. Nada de apego, nada de compromisso, nada de amor, esqueceu?
- Não, não esqueci. O problema é que...
- Eu confesso que sempre tive medo de mais cedo ou mais tarde você cair no convencional. Mas pensa bem: a gente não está bem do jeito que está?
- Está. Quer dizer, não sei. É justamente sobre isso que eu queria te falar.
- Então fala, Elaine, fala. Talvez você tenha razão, minha querida. Expressar os sentimentos é a melhor maneira de iluminá-los.
- É que eu... Eu acho que estou apaixonada.
- Ah, meu anjo, eu sabia que era isso. Elaine, o amor romântico é uma invenção cultural. Um casal pode muito bem viver sem ele.
- Você já me disse isso, Fabiano. Muitas vezes, aliás. Mas é que dessa vez...
- Elaine, perdão querida, mas terei que ser um pouco ríspido: eu te disse várias vezes que não queria compromisso.
- Eu sei disso, só que...
- Elaine, somos adultos. O que é a maturidade senão o controle das emoções?
- Essa você também já disse. Agora eu posso falar?
- Elaine, minha doce Elaine... Eu sei que é difícil. Eu sei que a vida quase nunca corresponde aos nossos desejos. Eu sei que...
- Eu estou apaixonada pelo Oswaldo.
- Elaine, tudo é uma questão de... O quê!? Pelo Oswaldo!?
- É, eu precisava te contar. Não sei como aconteceu, mas...
- Elaine, você tá maluca, Elaine? Como é que você me fala uma coisa dessas? A gente tem uma relação, um compromisso, Elaine. Esqueceu?
- Fabiano, a gente pode resolver isso como adultos. Pra que complicar? Não é o que você sempre fala?
- Justo o Oswaldo, Elaine!? Um simplório. A reflexão mais profunda que ele é capaz é qual camisa vai vestir. E mesmo assim ainda erra.
- Calma, Fabiano. Você está se exaltando...
- Eu te amo, Elaine! Eu te amo!
- Fabiano, a gente está em um lugar público. As pessoas estão olhando.
- Eu me caso com você. É esse o problema, não é? Então, pronto: vamos nos casar.
- Eu não posso, Fabiano.
- Não pode por quê? Esquece esse papo de que o casamento é uma forma de controle social. Eu não sabia de nada, minha querida. Agora tudo ficou claro pra mim.
- Não é isso, é que... eu vou me casar com o Oswaldo.
- Não pode ser verdade. Isso não está acontecendo.
- Sinto muito, Fabiano.
- Elaine, onde você vai, querida? Espera um pouco. Tudo isso deve ter uma razão de ser. Elaine, volta aqui, Elaine. Sem você eu não vivo! E vocês aí? Que é que tão olhando? Nunca se apaixonaram, não? Seus, seus... insensíveis!
"Ele é um intelectual, mas é inteligente".
De Abílio Diniz, sobre Luis Carlos Bresser Pereira
No mesmo Roda-Viva Bresser observou que os intelectuais gostam de chamar os outros de alienados quando eles mesmos são alienados.
Se a realidade não corresponde à teoria do intelectual ele nega a realidade, mas jamais a teoria.
Certo estava o FH com o seu "esqueçam o que eu escrevi".
O vegetariano George Bernard Shaw morreu após ter caído de uma árvore. Estava almoçando.
Faço um esclarecimento aos meus leitores que não estou atualizando este blog com mais freqüência por conta de problemas pessoais. Afinal, preguiça é um problema pessoal.