Esses dias vi Pepeu Gomes reclamando que "pessoas de mente suja que não chegaram à comunhão com Deus" tiram sarro do nome da sua filha, Riroca. Pode até ser, mas ele bem que podia não colocar tentações pelo caminho.
- Por quê?
- Porque não.
- Porque não não é resposta.
- Por que não?
- Por que não o quê?
- Por que porque não não é resposta?
- Porque não.
- Foi o que eu disse.
- O que você disse?
- Porque não.
- E eu disse que porque não não é resposta.
- E eu disse por quê.
- Então me diz: por quê?
- Por que o quê?
- Por que porque não não é resposta?
- Mas isso fui eu que perguntei.
- Calma aí. Não tente fugir. Eu disse que porque não não é resposta. E você disse que disse por quê. Mas em nenhum momento você disse porque porque não não é resposta.
- Claro que não disse. Eu não disse que disse o porquê de porque não não ser resposta. Eu disse por que porque não não é resposta? Foi uma pergunta.
- A-há. Se você pergunta é por que não sabe o porquê.
- Claro que sei.
- Por quê, então?
- Porque não.
- Pera aí. Roubar não vale. Você acabou de dizer que perguntou por quê. Como é que você faz a pergunta e você mesmo responde?
- Eu perguntei por que porque não não é resposta. Isso é você que tem que responder.
- Então por que você respondeu porque não?
- Você respondeu porque não.
- Você respondeu. Logo no começo da conversa.
- Eu respondi porque não à sua pergunta, e não à pergunta por que porque não não é resposta.
- Confundiu tudo. De que pergunta você está falando?
- Da pergunta que você me fez logo no começo da conversa.
- E qual era a pergunta?
- Você me perguntou por quê... ah, sei lá, já esqueci. Você que fez a pergunta que tem obrigação de lembrar.
- Que vergonha! Respondeu sem nem prestar atenção à pergunta.
- E qual era a pergunta?
- Por que eu tenho obrigação de me lembrar da pergunta?
- Porque sim, ora. Você que fez.
- Porque sim não é resposta.
- E por que sim? Quer dizer, por que não?
- Por que não, ora! Onde já se viu responder uma pergunta com porque sim?
- E com porque não?
- Também é absurdo.
- Você acabou de responder porque não.
- Eu! Olha aqui, meu amigo, não baixe o nível da conversa. Eu sou totalmente contra a resposta porque não.
- Mas durante a conversa respondeu porque não duas vezes.
- Calúnia. Não me ofenda que eu estou lhe respeitando.
- Eu também. Não tenho culpa que você não fala coisa com coisa.
- Por que você não vai pro inferno?
- Quer saber mesmo?
- Quero.
- Porque não.
E saíram no tapa.