Todo mundo conhece um chato. Se não conhece, reflita: você pode ser o chato.
Mano a Mano
Realidade alterada
Quem era playboy baludo
Hoje não tem nada
Cadê rolex no pulso,
ouro no pescoço, talão de cheque,
dinheiro no bolso?
Olha só que parada
Veio morar na minha casa
Dizem que somos irmãos
Que piada.
Deixa pra lá por enquanto
Se é pra te ajudar, já é
Mano a Mano.
Quem me viu, quem me vê, hein?
Quem diria,
fui arrancado à força do meu mundo de utopia.
Carro importado, campo de golfe
Não sobrou nada
Agora só os campos de pelada
Mas que furada
A coisa ficou séria
Minha mansão já não existe
Agora eu moro na favela
Lugar que eu sempre desprezei, é verdade
Mano a Mano!
Agora é minha realidade.
(letra do rapper Macarrão para a abertura do sitcom Mano a Mano, que estréia hoje, às 22h15, na Rede TV!)
A CNN anunciou hoje a morte do Papa mas horas depois voltou atrás. Eu, como tenho minhas fontes na alta cúpula do Vaticano, sinto-me no dever de vir a público explicar o que houve de fato.
Na verdade, na hora do anúncio fúnebre o coração do Papa havia parado. Foi dado como morto.
Em outro plano, o pontífice foi recebido por um senhor estranho, vestindo vermelho. Com gentileza ele se apresentou como a pessoa escalada para recepcionar o Papa no além vida. Ele levou o Papa por longos corredores, quentes e com papéis de parede vermelhos. O Papa estranhando.
Chegaram a um amplo salão, onde pessoas gritavam enquanto eram queimadas em grandes caldeiras, com um monte de diabinhos assistindo e gargalhando. Foi quando o Papa disse:
- Pera lá, isso aqui é o inferno.
- Exatamente - disse seu acompanhante. - E eu sou o diabo.
- Mas... alguma coisa está errada. Eu sou o Papa.
- Eu sei perfeitamente quem é o senhor.
- Então, houve algum engano. Não era para eu estar aqui.
- Engano nenhum. Tenho aqui a sua ficha e seu lugar é este mesmo.
O Papa começou a se desesperar:
- Não é possível. Eu dediquei a minha vida à causa do bem! Eu sou um representante de Deus!
Quando disse a última palavra o salão todo parou para olhar com censura. O diabo ficou menos amistoso:
- Chega desse assunto. Vamos ao que interessa.
O diabo chamou um dos diabinhos e com um gesto pediu para levar o Papa. O diabinho pulava de alegria pela missão. O diabinho começou a puxar o Papa pelo braço em direção a uma das caldeiras.
- Espere! Vocês não podem fazer isso. Eu sou o Papa! Eu sou o Papa!
O diabinho não queria nem saber. Junto com vários outros chifrudinhos empurraram o Papa por uma escada, até deixá-lo na borda da caldeira incandescente. O pontífice, cada vez mais desesperado. Quando o diabo ordenou que o empurrasem, o sumo sacerdote chorava e implorava por perdão.
De repente, fez-se o silêncio. O Papa estranhou, abriu os olhos que se recusavam a enxergar a condenação eterna e virou-se para ver o que estava acontecendo.
O diabo, os diabinhos e os condenados pulavam e gritavam: Primeiro de Abril! Primeiro de Abril!
Em seu leito, aqui no plano terreno, o Papa voltou a abrir os olhos. A minha fonte do Vaticano garante que ele ainda pronunciou em polonês algumas palavras quase ininteligíveis. Ele diz não ter entendido bem, mas pareceu ser algo como: "Palhaçada..."